Em Portugal pode ser considerada uma geringonça, mas funciona, diz um site político norte-americano. É uma ‘história de sucesso’ que pode ser exemplo noutros países.
A solução governativa encontrada por António Costa com o acordo à Esquerda foi recentemente analisada no site norte-americano Politico, um reputado jornal online dedicado à política dos EUA e internacional.
“European left wants piece of Portugal’s ‘contraption’”, é o título do artigo. “A Esquerda europeia quer um pouco da ‘geringonça’ de Portugal”, numa tradução livre.
Segundo o jornal, os políticos da Alemanha e França, por exemplo, estão à procura de uma palavra equivalente ao termo ‘geringonça’, e prometem “reverter o seu declínio eleitoral” com ajuda da ‘fórmula’ portuguesa.
“Em 14 meses, a geringonça de Costa confundiu os céticos” com aquilo que é descrito como uma “história de sucesso improvável”: um défice em 2016 de 2,1% do PIB, a diminuição da taxa de desemprego e a aprovação de 66,1% dos eleitores, de acordo com as últimas sondagens.
“Com os socialistas no lugar do condutor, Costa conseguiu persuadir PCP e Bloco de Esquerda a pôr de parte as suas exigências mais radicais”, destaca o jornal.
Tudo com ajuda de várias “particularidades” nacionais, em especial o facto de a ditadura de Salazar ter evitado que o país evitasse a emergência do populismo de extrema-direita, ao contrário de países como a França.
O candidato francês Benoît Hamon é um dos políticos de Esquerda rendidos à Geringonça. Disse ao Público, citado pelo Politico, que o que estava a acontecer em Portugal o “inspirava” e prometeu visitar o país se for eleito presidente. No entanto, será muito difícil em França, onde a extrema-direita de Le Pen surge como a grande ameaça populista, e mais ainda na Holanda, tendo em conta que o Partido Trabalhista deverá descer de segundo para quinto partido parlamentar mais votado no sufrágio do próximo mês, tornando inverosímil um cenário em “tenha um papel de liderança na formação de uma coligação de centro-esquerda.
A Esquerda alemã é a que terá mais possibilidades de seguir o exemplo português. Hipoteticamente, os sociais-democratas liderados por Martin Schulz poderiam estabelecer um acordo com os Verdes e o partido Esquerda para superar os votos do CDU de Angela Merkel.
































