É a primeira vez que duas tradições musicais reconhecidas como Património Imaterial da Humanidade, o Cante Alentejano e o Flamenco, são apresentadas no mesmo palco.
O cante alentejano e o flamenco apresentam-se, pela primeira vez, num mesmo cenário, amanhã, às 20H00 locais, em Sevilha, no consulado-geral de Portugal na capital andaluza.
No concerto participam os ‘cantores’ Esperanza Fernandez e Árcangel que interpretarão temas da tradição musical flamenca, o Rancho de Cantadores da Aldeia Nova de São Bento, acompanhado por Pedro Mestre, e os Cantadores do Desassossego, pelo cante alentejano.
“É a primeira vez que duas tradições musicais reconhecidas como Património Imaterial da Humanidade, o Cante Alentejano e o Flamenco, são apresentadas no mesmo palco”, disse à agência Lusa Sara Fonseca, da associação Portas do Património, diretora executiva do Festival Terras Sem Sombra (FTSS).
“Cantadores do Desassossego” é grupo coral masculino de Beja, criado em 2014, sob o lema “o cante é a nossa paixão”.
Por sua vez, o Rancho dos Cantadores de Aldeia Nova de São Bento editou, recentemente, um CD de Cante Alentejano, com vários convidados, entre eles o músico Pedro Mestre que foi distinguido em dezembro passado com o Prémio Carlos Paredes, do município de Vila Franca de Xira, pelo seu álbum “Campaniça do Despique”.
O concerto que vai juntar estes géneros de música intitula-se “Imenso Sul” e faz parte do programa de apresentação, em Espanha, do FTSS, certame de música sacra que se realiza, de fevereiro a julho, em diferentes igrejas do Baixo Alentejo.
“Esta iniciativa, nunca antes imaginada, é um desafio que rasga fronteiras. Faz, de resto, todo o sentido. O flamenco, mais ainda do que o fado, possui uma forte e comovedora tradição religiosa, de que a ‘Misa Flamenca’ é um dos pontos cimeiros”, afirmou a responsável.
“O cante alentejano, por seu turno, espelha, também ele, uma espiritualidade arreigada e autêntica, o diálogo com os andaluzes fluirá com a mesma naturalidade que as populações de ambos os lados da raia se encontram e misturam, há muitos séculos”, concluiu Sara Fonseca.
































