Filipa Leal participa na 11.ª edição da Primavera dos Poetas no Luxemburgo, que está a decorrer este fim de semana, e espera que um dos seus poemas, que fala de emigração, «toque as pessoas que tiveram de emigrar».
Um dos poemas que a poetisa vai ler, “Manual de despedida para mulheres sensíveis”, foi escrito quando o irmão mais novo da escritora «teve de emigrar, tal como uma geração mais nova que teve de sair de Portugal para ter emprego, numa altura difícil para o país».
«Eu imagino que seja um poema que toque as pessoas que foram capazes de emigrar, ou tiveram de emigrar, umas à procura de melhores condições de vida, outras porque se viram obrigadas, tanto noutros tempos como em tempos mais recentes», disse Filipa Leal.
O poema, que foi traduzido para francês por Sónia da Silva, ex-jornalista cultural que vai moderar os encontros da Primavera dos Poetas no Grão-Ducado, já ‘fez estragos’ noutras ocasiões em que foi lido, afirmou Filipa Leal.
«No Festival Literário da Madeira, o poema foi lido por Pedro Lamares, e houve uma jovem que começou a chorar convulsivamente e teve de sair da sala. Quando voltou, pediu para, ‘por favor’, não lerem mais poemas da Filipa Leal», recordou a autora à agência Lusa.
O episódio, que se passou em 2016, «teve este efeito quase cómico, mas mostra que é um poema muito duro», disse a poetisa.
Esta é a primeira vez que Filipa Leal está no Luxemburgo, país onde já teve uma prima e conhecidos imigrados.
«Tenho muita vontade de saber como é o país onde sempre ouvi dizer que quase que se ouve falar mais português do que outras línguas, estando tão longe de Portugal», afirmou.
A escritora também ficou surpreendida com o interesse na sua participação na Primavera dos Poetas: deu entrevistas a vários jornais locais antes mesmo de chegar ao Grão-Ducado e esteve numa rádio portuguesa.
“Parece-me que a comunidade portuguesa muito interessada”, disse.
Poetisa, jornalista e argumentista, Filipa Leal é licenciada em Jornalismo pela Universidade de Westminster (Londres) e mestre em Estudos Portugueses e Brasileiros pela Faculdade de Letras do Porto.
Publicou o seu primeiro livro em 2003, a que se seguiram oito títulos, entre os quais “A Cidade Líquida”, “Vale Formoso” (ed. Deriva), “Adília Lopes Lopes” (não-edições) ou o mais recente “Vem à Quinta-feira” (2016, ed. Assírio & Alvim).
A sua poesia está traduzida em Espanha, Colômbia, Itália, Croácia e Venezuela.
Em 2014, escreveu a primeira longa-metragem de cinema, “Jogo de Damas”, realizada por Patrícia Sequeira, tendo recebido o prémio Golden Aphrodite de melhor guião no Festival de Cinema do Chipre (2016) e no International Monthly Film Festival de Copenhaga (2017).
Atualmente, colabora com o programa semanal “Literatura Aqui”, da RTP2, que recebeu o prémio para Melhor Programa de Entretenimento em 2017, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA).
Foto em destaque ©Ana Lopes Gomes
































