Hoje comemora-se a entrada no Ano Novo Chinês, a mais longa e importante festividade do calendário lunar.
Depois de anos a cantar como souvenir de Macau, o galo de Barcelos figura na ‘crista’ das celebrações do Ano Novo Chinês, servindo de inspiração a formas e cores do animal do zodíaco que entra em cena a cada 12 anos.
O galo de Barcelos surge há anos em diferentes montras espalhadas pela cidade, principalmente de lojas de recordações – sob a forma de miniaturas, porta-chaves e mealheiros, ou pintado em t-shirts ou aventais – como um souvenir de Macau, por razões que o próprio universo do turismo parece desconhecer.
Segundo a Lusa, nem turistas nem vendedores sabem explicar realmente por que razão o galo de Barcelos figura como um símbolo de Macau, território que deixou de ser um enclave português em 1999.
Em três lojas de lembranças diferentes, perto do ‘ex-libris’ da cidade, abundam galos de Barcelos de diferentes cores e tamanhos – uns com a inscrição “Portugal”, outros com a palavra “Macau” e outros sem qualquer indicação relativa à origem.
A imagem surge com desejos de bom ano aos clientes, com o comércio a usar o galo de Barcelos como ‘chamativo’ durante os dias que antecedem a subida do galo ao poleiro do Ano Novo chinês.
Mas o Galo de Barcelos é bem mais do que um souvenir em Macau. A título de exemplo, empresta a sua forma e cores garridas a um óleo da medicina tradicional chinesa para curar dores da coluna, encontrado à venda numa farmácia popular local.
O galo surge também na edição especial do clássico jogo “Monopólio”, de 2015, como um dos oito ‘tokens’, lado a lado com as Ruínas de São Paulo, um pastel de nata, ou um carro de corrida que simboliza o Grande Prémio de Macau.
Com os preparativos para dar as boas-vindas ao Ano Lunar do Galo – que vai reinar por 12 meses a partir de hoje -, a imagem do galo de Barcelos ganhou um novo ímpeto.
Foi nele que Wilson Lam se inspirou quando fez o ‘design’ da emissão filatélica especial do Ano Novo Lunar, a qual ilustra o galo de Barcelos, “um ícone português bem conhecido e integrado na cultura de Macau”, como descrevem os Correios.
Wilson Lam explicou mesmo que recorreu ao galo de Barcelos por “simbolizar a harmonia entre as culturas” portuguesa e chinesa, embora reconheça que, aos olhos da maioria dos turistas, o galo de Barcelos poderá ser percecionado como um símbolo exclusivo de Macau – e não de Portugal -, o que também sucede, aliás, com o pastel de nata.
































