Se os 194 mil jovens licenciados que saíram do país entre 2012 e 2021 regressassem a Portugal, isso melhoraria as perspetivas da economia portuguesa em diferentes aspetos.
O estudo da Associação Business Roundtable (ABR) e da consultora Deloitte apresentado esta semana e dedicado a analisar o desempenho económico de vários países não se debruçou apenas sobre a realidade portuguesa da emigração jovem, mas avançou com várias conclusões interessantes. Por exemplo: se os jovens que emigraram nos últimos anos regressassem a Portugal, o valor acrescentado bruto no país aumentaria 1,6 mil milhões de euros. E Portugal atingiria a convergência com a Europa 14 anos antes do previsto, em 2046.
A análise foi apresentada na quarta-feira, na Conferência BRP 2024 — “Portugal: o país onde vais querer estar”, e é comentada por Pedro Brinca, professor e investigador na Nova School of Business & Economics, na edição deste domingo do Diário de Notícias.
Depois de cruzar dados do Eurostat com as perspetivas para a economia nacional, neste ano e no próximo, o estudo da ABR acrescentou outra variável: o regresso dos 194 mil jovens licenciados que saíram do país entre 2012 e 2021. Esse fator melhoraria as perspetivas da economia portuguesa em diferentes aspetos. Desde logo, o valor acrescentado bruto aumentaria 1,6 mil milhões de euros. Em termos de taxa de crescimento do PIB, esse regresso potenciaria um aumento de 0,65 pontos percentuais (0,42 pontos no caso do PIB per capita).
Com este “ritmo adicional”, Pedro Brinca antecipa que Portugal atingiria a convergência com a Europa em 2046. “Pouparíamos dez a 15 anos”, diz o professor, citado pelo DN. “Criar condições para atrair (e reter) licenciados, a um ritmo de 19 mil por ano, a trabalhar em grandes empresas e assumindo que a economia tinha capacidade de continuar a ter o mesmo valor acrescentado bruto por trabalhador — 83 mil euros ano —, poria Portugal muito perto da trajetória de convergência média daquilo que são os países da União Europeia”, acrescenta o jornal.
No estudo, a ABR e a Deloitte fazem referência à “fuga de talentos” dos últimos 20 anos em Portugal, avançando com números preocupantes: 1,5 milhões de portugueses optaram por ir trabalhar para o estrangeiro (um terço dos quais com idades entre os 15 e os 39 anos), onde vive 26% da população, o que coloca Portugal em 8.º lugar nos países do mundo com mais emigrantes. Além disso, cinco em cada dez jovens dos 14 aos 29 anos já demonstram intenções de sair do país, de acordo com o estudo, e poucos são os que pensam em regressar.


































