Esta é a primeira tecnologia desenvolvida por um investigador desta instituição de ensino superior a ser patenteada no Japão, estando também assegurada para os Estados Unidos (EUA).
Um investigador da Faculdade de Engenharia do Porto (FEUP) desenvolveu uma tecnologia que permite melhorar a forma como os robôs e os humanos comunicam, recorrendo a estímulos auditivos como a fala e a música, bem como à dança.
Esta tecnologia, designada “Sound processing device, sound processing method and sound processing program”, possibilita ao robô “mediar diversos modos de interação, otimizando a capacidade de processar sinais auditivos de diferentes naturezas, em simultâneo e em tempo-real”, explicou o investigador da FEUP João Lobato Oliveira.
Para tal, a tecnologia combina técnicas de processamento de sinal auditivo, tais como o reconhecimento da fala, a deteção de batidas musicais, a localização e a separação de fontes sonoras e a supressão de ruído, provocado pelos movimentos de dança sincronizada do robô.
A titularidade da invenção divide-se entre a Universidade do Porto, o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), a Universidade de Tóquio e o Honda Research Institute (HRI-JP), em Tóquio, no Japão, onde João Lobato Oliveira fez o doutoramento e o pós-doutoramento.
Além das aplicações no domínio da robótica e na melhoria das capacidades de robôs e “humanoides” que sirvam ou complementem ações humanas, a tecnologia, que demorou dois anos a ser desenvolvida, pode ainda ser aplicada no âmbito do ensino, da segurança e da prevenção.
“Humanoides”, como explicou o investigador, são robôs que assumem a forma humana apresentando uma fisionomia corporal idêntica ao ser humano, com cabeça, tronco e membros, duas pernas e dois braços, e que integram capacidade sensorial que permite replicar, parcialmente ou na íntegra, os cinco sentidos humanos.
De acordo com o especialista, esta tecnologia aumenta significativamente a capacidade de um robô interpretar com maior precisão a fala de um ser humano, respondendo-lhe pela mesma via, “processando eficazmente sinais musicais” ao mesmo tempo que “sincroniza movimentos de dança”.
“O Japão, seguido dos EUA e da Coreia do Sul, é o país que maior investimento faz em robótica industrial e não industrial”, indicou à Lusa, informando que, no caso do Japão, “os robôs começam a integrar o dia-a-dia das pessoas, entrando na sua vida doméstica”.
João Lobato Oliveira indicou ainda que, embora existam diferentes métodos desenvolvidos, a nível mundial, que permitem melhorar a interação humano-robô, baseada em estímulos, o processamento auditivo em robótica ainda está a dar os primeiros passos quando comparada, por exemplo, com o processamento visual.
































