Com o Atlântico de um lado e o Tejo de outro, Torres Vedras e Alenquer assumem-se como territórios vitivinícolas por excelência, cujos primeiros vestígios do cultivo da vinha remontam a 3000 a.C. e estão documentados no Castro do Zambujal, um dos sítios mais importantes para a compreensão das sociedades proto-históricas da Península Ibérica.
A promoção do enoturismo, em particular, e do turismo, em geral, a nível nacional e internacional, assumiram-se como objetivos da candidatura à distinção. A Região Centro conheceu os seus melhores anos turísticos nos anos de 2015 e 2016, e os dados relativos ao 1º semestre do ano passado apontam, ainda, para uma tendência de crescimento.
O mesmo aconteceu com Torres Vedras e Alenquer no mesmo período. Aqui, o vinho e a gastronomia estão em destaque, estando nos primeiros lugares do que os turistas procuram quando visitam o território.
Uma região que se senta à mesa
Se a hospitalidade é uma característica distintiva apontada por muitos dos que passam pela região, o certo é que a gastronomia também não deixa de agradar ao paladar, com o vinho e os pratos típicos a assumirem uma importância reforçada para o desenvolvimento da economia local.
A agricultura nos dois concelhos caracteriza-se por ser essencialmente de vinha: Alenquer apresenta uma área total de vinha superior a 5.915 hectares, enquanto a de Torres Vedras corresponde a cerca de 5.969 hectares. Estes são dois dos concelhos portugueses com maior tradição e produção vitivinícola de vinhos tintos, brancos e rosés, sendo pioneiros na produção de vinhos leves.
A localização privilegiada entre as encostas da Serra de Montejunto acaba por gerir as influências tão distintas provenientes do Mediterrâneo e do Atlântico. Aos brancos aromáticos, cheios e persistentes no sabor, e aos tintos vinosos, equilibrados, vivos e brilhantes, juntam-se ainda os leves. Cada vez mais procurado a nível nacional e internacional, o vinho leve é atribuído a Vasco Miguel, engenheiro alenquerense, que em 1985 o submeteu para aprovação em Bruxelas.
Torres Vedras e Alenquer possuem ainda duas Denominações de Origem (DOC) da região de Lisboa. Atualmente, os territórios destacam-se no panorama vitivinícola daquela região, não só pela área ocupada por vinha, mas sobretudo pelo prestígio que os seus vinhos têm vindo a alcançar, sejam eles com Denominação de Origem ou regionais.
Tal como as gentes que a confeciona, também a gastronomia é reflexo de uma região cuja relação com a terra continua a ser de grande importância. A tiborna, o torricado, o escabeche de codorniz e o ensopado de enguias dão corpo aos pratos típicos de Alenquer, que se caracterizam pela relação com a tradição da lavoura. No que toca à doçaria e à pastelaria, encontramos as bodinhas do Espírito Santo, as broas de Triana e as brindeirinhas de Nossa Senhora da Piedade e de Santa Quitéria.
A gastronomia torriense também não esconde a sua íntima relação com o vinho, apresentando pratos como a cachola de porco e o arroz de matança, que se complementam com o prestigiado Pastel de Feijão. O menu fica completo com a gastronomia de época oitocentista, que se integra na oferta do turismo cultural das Linhas de Torres Vedras. Afinal, estamos em territórios cruciais para a defesa de Lisboa de mais uma invasão de Napoleão.
Veja o artigo na íntegra na edição de abril da Revista PORT.COM.
































